Utilizações agrícolas dos recursos hídricos sujeitas a aprovação prévia por parte da ARH do Norte, I.P.:
• Captações de água (superficiais ou subterrâneas) para rega;
• Rejeição de efluentes no solo ou em linha de água;
• Realização de escavações ou aterros nas margens de cursos de água;
• Sementeiras e cortes de árvores nas margens dos cursos de água;
• Construção de infra-estruturas hidráulicas de apoio à agricultura (ex. açudes de rega e charcas);
• Operações de limpeza e desobstrução de leitos de linhas de água.
Se exceptuarmos a produção de energia, o sector agrícola representa, em Portugal, cerca 87% do volume total de água consumida. Está estimado que esse uso agrícola tem associado uma percentagem de perdas de 40%.
Esta expressiva componente agrícola do uso da água significa que é neste sector que se tornarão mais eficazes as medidas que promovam o uso racional deste recurso. O solo e a água representam um recurso bastante sensível no nosso País, pelo que a sua preservação é essencial. Note-se que 1cm de solo pode levar cerca de 100 anos a formar-se e que apenas 2% da água do planeta é doce.
A agricultura, como actividade que age directamente sobre os recursos naturais de que depende, representa também uma oportunidade para que, através de medidas simples de aconselhamento, se protejam os rios e as águas subterrâneas.
Importa, pois, implementar medidas a nível da água, sobretudo em termos da sua utilização, vejamos algumas:
Uso racional da água na rega
A implementação de técnicas de regadio adequadas permitem além de poupar agua, alargar a área de regadio da exploração. A aplicação da água deve ser uniforme em toda a parcela de rega. O método escolhido deve ser adaptado à cultura, tipo de solo e inclinação do terreno. Note-se que em terrenos arenosos é mais eficaz o uso de rega sob pressão ou preferencialmente rega gota-a-gota. A contaminação de água subterrânea por nitratos é um problema ambiental grave e que deve ser evitado, pois além de caro, nem sempre é possível a recuperação. Note-se que mesmo após as colheitas de Verão, a formação de nitratos no solo continua a verificar-se e com as chuvas são arrastados em profundidade e colocam em risco a qualidade das águas subterrâneas. Por outro lado, o uso racional de efluentes da pecuária tem inúmeras vantagens de aplicação, pois fornece nutrientes e melhora o teor em matéria orgânica do solo e faz um uso adequado de um produto altamente poluente das águas superficiais e subterrâneas.Proteger a qualidade da água, da poluição dos fertilizantes
• Escolher a época e as técnicas de aplicação de adubos azotados
• Controlar os nitratos do solo entre culturas
• Usar racionalmente os efluentes da pecuária
• Armazenar e manusear correctamente os adubos e efluentes da pecuária
• Proteger a qualidade da água da poluição com produtos fitofarmacêuticos
• Proteger os rios e as ribeirasAlém destes cuidados, deve haver especial atenção também ao tipo de equipamento utilizado, com vista a constituir um conjunto equilibrado e coerente, que permita a realização da operação cultural nas melhores condições técnicas, em segurança, com respeito pelo ambiente, com máximo rendimento e menor custo. Existem normas que condicionam as características dos equipamentos e exigem requisitos específicos a que estes têm de se submeter pelo que este cuidado é importante.
A adopção de medidas neste sector é fundamental para uma gestão correcta de recursos escassos e que são da extrema importância ao ecossistema. Saliente-se, porém, que estes não inibem a necessidade de haver controlo analítico dos recursos, pelo que devem ser elaboradas análises ao solo e à água, a fim de monitorizar a sua qualidade e permitir uma melhor aplicação destas medidas de forma ajustada. Estas análises devem ser elaboradas sempre que necessário, pois são uma ferramenta de controlo importante na gestão dos recursos naturais de que a agricultura depende.